quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Estampas com Xadrez

Therezinha Mello

Quero a deselegância das cores descasadas.
E as estampas misturadas com xadrez.
Quero a graça inusitada que não liga pro mundo.
A escolha sem tendência. O tom que combinar com meu humor.

Quero a harmonia atrevida dos desencontros.
E o exagero que agradar meu coração.
Quero a reles pedra falsa e o romantismo das blusas de crochê.
O que não se usa mais. O que se passa adiante.

Quero os mistérios velados das peças esquecidas.
E a ousadia extravagante, fuleira, popular.
Quero arriscar o gosto duvidoso. A imitação barata. Os paetês.
O Lar Doce Lar. O Seja Bem Vindo dos tapetes.

Quero ouvir a canção do bêbado ao garçom do bar.
E a versão banal do sucesso americano.
Quero a flor de plástico.
A folhinha pendurada na parede.

Que encalhem os saldos das vitrines burguesas.
Quero a moda descartada. A coleção passada.
O chique da empregada.
O démodé que escolhi.

Libertem-se os anões pelos jardins !
Que lhes acompanhem Brancas de Neve de cerâmica ordinária. Sapos e cogumelos.
Que cascas de ovo arrematem as espadas de São Jorge.
E que os pingüins ocupem-se das geladeiras.

Quero a deselegância das cores descasadas.
E as estampas misturadas com xadrez.

2 comentários:

Cristina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cristina disse...

Esse me emociona sempre. Muito. Vou fazer um quadrinho e colocar na parede, daqueles escritos na madeira, sabe ? Chamo você para descerrar o pano (xadrez com estampas) na inauguração ! O comentário anterior era este mesmo...